AQUI JAZ OS IMORTAIS

by Jornal A Metrópole | 19/07/2018 10:15

Por Marcos Vinicius Cabral

[1]A cada Copa do Mundo realizada, histórias são escritas e nomes eternizados.

Nos quatro cantos do planeta, apenas um brasileiro, um alemão e um francês, conseguiram a façanha de ganhar uma Copa do Mundo dentro de campo e à beira dele.

Trocaram as chuteiras que tantos passes mágicos deram e belos gols fizeram por treinos e mais treinos levando seus comandados à exaustão.

Tiveram o desprazer de ver com olhos impávidos os aplausos da torcida não pelo resultado de seu trabalho mas sim pela vitória suada ou tranqüila da seleção de seu país.

Contudo, ouviram as vaias retumbantes – como um cão que ouve os passos de seu dono quando chega em casa – dos que o idolatravam quando ainda não eram ‘professores’.

É, peremptoriamente, vida de treinador é como uma rapadura: doce mas não é mole!

Portanto, assim foi com o jogador de senso tático incomum para a época, o alagoano Mário Jorge Lobo Zagallo, que chegou à cidade maravilhosa com apenas 8 meses de vida.

Se notabilizou por ser um dos primeiros pontas a recuar para recompor o meio-campo.

Iniciou sua carreira no América/RJ em 1948, passando pelo Flamengo (1950 a 1958) e o Botafogo (1958 a 1965), conquistando inúmeros títulos para depois, em 1966, pendurar as chuteiras.

Em 1970, ao assumir o comando da Seleção Brasileira – após João Saldanha ser demitido por divergências políticas – Zagallo conquista o tricampeonato e se torna o primeiro na história a ser campeão do mundo como jogador e treinador.

Devoto fervoroso de Santo Antônio, é publicamente apegado ao número 13, onde coincidências aparecem na sua trajetória, como 1958 e 1994 – as somas dos últimos dois dígitos dos dois anos dão treze – fazendo-o enaltecer seus feitos.

É sem dúvida alguma, o maior vencedor da história de todas as edições de Copas do Mundo, sendo o único tetracampeão vivo.

Um pouco longe do ‘Velho Lobo’, há 9.431 quilômetros de distância, Franz Anton Beckenbauer nascia em 1945 na cidade de Munique.

Conhecido como “Kaiser” (Imperador em alemão), marcou uma época no futebol mundial, jogando de zagueiro, líbero e volante.

Difícil saber em qual posição foi melhor.

Na Copa de 1974, fez suco da “Laranja Mecânica” de Cruijff – que atropelhara o Brasil após ser desdenhada por Zagallo, seu treinador – e com os 2 a 1, ergueu pela primeira vez a Taça FIFA.

Com o seu futebol já consagrado, dirigiu a Alemanha nos gramados italianos e na final da Copa de 1990, venceu a Argentina de Maradona, que lutava – assim como ela – pelo tricampeonato.

Agora jaz, no túmulo dos imortais, o francês Didier Deschamps – que foi capitão em 1998 – e agora é técnico das estrelas como Mbappé, Pogba e Griezmann, destaques da equipe francesa na conquista do bicampeonato na Rússia.

– Sim, os melhores técnicos! Eu não estou pensando em mim, na verdade, mas evidentemente sinto orgulho disso, é preciso ganhar títulos. Me fez tão mal perder o título europeu dois anos atrás, mas serviu para nos dar mais força. Desmistificamos um pouco essa história de jogos da final, o jogo pertence aos jogadores, eles é que ganharam a partida e são campeões do mundo. Somos cerca de 20 pessoas na comissão técnica, é o resultado de muito trabalho – disse o treinador logo após a partida.

Talvez Didier não tenha sido tão vencedor como o ‘Velho Lobo’ ou tão brilhante como o ‘Kaiser’ nos gramados mundo afora, mas certamente ganhou um asterisco à frente do D que precede o seu nome.

Não suou e nem lágrimas derramou contra a Croácia nos 90 minutos que mudam assim, num estalar de dedos, as emoções de quem vive o futebol.

E essa final a menos de 48 horas, foi adrenalina pura.

Mas como esquecer, por exemplo, Zagallo sendo jogado pro alto pelos jogadores brasileiros após a vitória por 4 a 1 na final da Copa de 70?

Ou ainda, no Estádio Velodrome, em Marselha, na França, incentivando um a um de seus jogadores para a disputa de pênaltis nas semifinais contra a Holanda, na Copa de 1998, em que surgia a lenda Zinedine Zidane?

E também, como não lembrar de Beckenbauer, que contra a Itália, segurando o braço em virtude de uma fratura na clavícula, fez essa cena se tornar inesquecível e sua história com a camisa germânica, talvez ser contada por um Spielberg nas telas do cinema?

Não, não é apenas futebol.

Portanto, que venha o Qatar em 2022, e que possamos ter mais uma página em branco sendo escrito por personagens cada vez mais marcantes.

Endnotes:
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